
A Beleza Interior - workshop de imersão
A Beleza Interior - Workshop de imersão com Adrianna Coelho e Mairun Sevá, 05 e 06 de maio na Pousada Ingá Teresópolis.
Le ciel et la mer dans diverses nuances de bleu
The distance is blue
and in my memory
there is also blue
a sky full of your presence
and your absence
on the side window
of your bedroom
There is a blue
that separates us
through tears, songs,
smiles
and this love we left
naked in a river
- my heart -
which went through
pink granite trails
chasing the blue
to find your sea
telling me adieu
And in the end
la mer et le ciel
Everything inside me is bleu
Variações sobre My Favorite Things
Para Manu G.
um beijo
(all of you)
a tua sede
um groove
um contrabaixo
um improviso
uma atitude
and your fingering
in a sentimental mood
um beijo
(all of you)
a tua sede
um groove
um contrabaixo
um improviso
uma atitude
and your fingering
in a sentimental mood
amor perfeito / contact
não saber
do teu olhar sobre as flores
sobre as cores e suas metáforas
não saber mais
de tuas músicas e dos teus dedos
contemporâneos
não saber de nada disso
e ainda assim ler teus sentidos
de longe
[Adrianna Coelho]
«contact»
.................... not knowing
.................... the dance of your fingers
.................... over the keys, their touch
.................... not knowing yet
.................... about my sounds in your dreams
.................... and still weaving their colours
.................... without hesitation
.................... not knowing none of this
.................... and yet feeling you
.................... close
[Poem by Stéphane L.]
lumiar
as-pirava
noites lúdicas
e gostava de brasas
incandescências
estrelas
e vaga-lumes
encostava em mim
feito lagarta
de um jeito
que me tinha ardente
e ins-pirada
sussurava segredos
de cigarras
me arrepiava
e sus-pirava
permanecendo
ávido à flor
da minha pele
que trans-pirava
água-viva
e gozava
e amava aquela piração
contexto
recita tuas águas
e brasas
e te condenso
nos meandros
contornos e entremeios
te margeio
em teus vales
horizontes e montanhas
desaprumo
só em teus ventos
me refaço
duna
aspectos secretos de um ritual
me despe às cegas
horas
do dia
do dia
e o
vidro do relógio
arranha tanto quanto
me acariciam as tardes
de oásis
nunca inteiro quase se
faz felino e me acaricia
tanto quanto arranha
a minha vida
e despede-se às claras horas
do dia
arranha tanto quanto
me acariciam as tardes
de oásis
nunca inteiro quase se
faz felino e me acaricia
tanto quanto arranha
a minha vida
e despede-se às claras horas
do dia
recíproca
de repente assustam-me
os teus destroços abandonados
à superfície dos meus olhos
rasos de água
vitralidade
tuas cinzas
areia e sais
unidos à minha fragilidade
unidos à minha fragilidade
improvável engano mesopotâmio
em meus imprevistos
vitrificados
em meus imprevistos
vitrificados
nas tuas mãos de oleiro
meu corpo moldado
em complexos ruídos
em complexos ruídos
presos em tuas tramas de cobre
meus reflexos
derretidos
meus reflexos
derretidos
e o momento inexato
em que me entornas
em que me entornas
teu líquido
é aquele em que me acreditas
na impossibilidade
na impossibilidade
do vidro
espectro
aquelas noites não
nos deixaram
para trás
mas sozinhos
sem os silêncios
comuns às estrelas
e aos lírios
e com todas
as minhas cores
misturadas aos teus
litígios
solstício
« a utopia está lá no horizonte »
eduardo galeano
prendo-me ao que se move
para retirar da dor
a monotonia
o que de mim se afasta
ou cai como fruto
ou flor
por isso deixo-me
levar a noite
dentro
que meus poemas
são feitos de outonos
memórias
e esquecimentos
perfil
na parede morta
minha natureza toda
sem assinatura
saturada de azul
de um quase nu
vinho
púrpura
magenta
e de teu sol oblíquo
a emoldurar meu rosto
respingado de tinta
ocaso
ainda ouço
tuas conversas com
sombras e brumas
teus restos
de noites e teus dons
para abismos
em minhas comoções
telúricas
teus silêncios ancorando
meus vazios e a
tua falta
ainda te espero
naquele cais que nos invade
a alma
reversos
meus tormentos ainda
persistem como peixes
que sobem um rio
que não sabem dos
horizontes e da aflição
nos portos
e não se importam
com o inaceitável sentido
de todas as dores
ou com a erosão
em meus olhos embaçados
de saudades
e no meio de tudo
continuo detenta
de cada uma de suas
margens
de cada uma de suas
margens
risco
arrisca em mim
o que quebre
o que grite
o que desaninhe
meu tigre e meu
riso
arranca o fôlego
a raiz
o juízo
e deixa que o resto
se precipite
legado
achei o jeito
de anoitecer os silêncios
cheia de
luas e lenhas
cais
naufrágios e dores
teu esboço e tua
ausência
fragmentos
esse olhar mudo
de retrato
um muro branco de dentes
flagrado como se fosse
um crime
o gesto despojado
de chaves e de noites
sem eclipses
esse jeito de ser
tempestade
e nenhum dique
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