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risco
arrisca em mim
o que quebre
o que grite
o que desaninhe
meu tigre e meu
riso
arranca o fôlego
a raiz
o juízo
e deixa que o resto
se precipite
ânima
por uma brecha do meu sono
você sopra toda essa tinta
pra pintar na minha cara
insetos
átomos
cantos e contos
dos seus quintais
incalculáveis
tudo cabe na tela absoluta
e branca
tudo cabe
e outros tons insurgem
penso em você
parcialmente um
em todos os fragmentos reunidos
- unânime
e escrevo até o último segmento
cada passo dessa incerta dança
* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2772
imanente
desprendido de chãos e de céus
esse louco que nos habita
encara todos os precipícios
e remove-nos as pontes
que levariam a anfitriãs certezas
e em saltos incalculados
nesses vãos entre nadas e nós
hospeda em nossos abismos
a nudez com que nos entrega
a toda sorte de perigos
falando de lírios e de mim
eu queria inventar outras palavras
outras flores outras selvas outras árvores
e subir nos seus pés
e preparar ninhos e leitos
no mistério impenetrável e verde
das folhas impregnadas de sol...
queria inventar outras espécies
de algas e de corais e outros mares
cheios de perigos e coloridos abissais
e coisas de afundar mesmo a cabeça e nadar
e beijar a pele com gosto de sal e de líquen
nos nossos corpos úmidos graves e líricos...
queria chegar até você com sonhos
e com histórias
com cantigas de roda
bobagens e cílios
cheia de manha e de manhãs
e papoulas e desalinhos
cheia de mim e de lírios...
queria chegar até você
reinventada em outros trens.
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