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quase um tango



que coisa mais latina
me chegar assim com tangos
com esse orange walking
com pratas e besos roubados
e com esse ar borgeano


que coisa mais ladina
esse teu olhar bajamar
que saca la paz dos meus dias
y me quita la noche y el sueño
quando me ofereces coca
e bebes um vinho chileno


que coisa mais romântica
quando me atacas na cama
antes fria e deserta
e me declamas um pablo
só para ter-me caliente


[sale un aroma de jazmín mojado
por el sudor, un ácido relente]


y yo pronuncio tu nombre
entre embargos y cochabamba
si no eres fidel yo te castro
encuanto enciendes um charuto
de havana







na voz de
Mercedes Lorenzo

para uma confissão

para Mercedes Lorenzo


que a palavra secreta se apresente,
aquela que me olha de longe
que me entende e me espreita,
por onde quer que eu ande...


aquela que sabe dos meus horários
e de tudo que coloco sob pedras,
debaixo do tapete, atrás das portas
e dos meus gestos corpóreos


aquela que encontra minhas identidades
guardadas a sete chaves na gaveta
cheia de poemas sibilinos


- a palavra-chave, testemunha,
aquela que me aponta, me acusa...


quando ela se declarar,
eu assino.



***** de língua: lambendo a poesia de mercedes lorenzo



Shlept



a língua bifurcada da serpente
prova dois gostos?
o que acontece
se eu lamber teu gesto?
gosto do susto
de pensar palavras salivas
incisivas in.surgentes
carnívoras
isso vai me inflorescendo
o resto



Mercedes Lorenzo





minha voz cariocando a shlept da mê:


* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2564

poema têxtil

[Parceria com Mercedes Lorenzo, do blog Cosmunicando]


encolheu de repente
mesmo assim tento vesti-la
e passo primeiro a cabeça
pelo avesso de mim


depois da mente no ato
vou enfiando meus braços
então a palavra se esgarça
e eu ainda espremo
o que é preciso exprimir


do que já é coração
quando visto meu peito
fibra e urdidura

é apenas o começo

e nessa crescente alegria
de desmanchar a costura
nem poema caberia