lumiar
as-pirava
noites lúdicas
e gostava de brasas
incandescências
estrelas
e vaga-lumes
encostava em mim
feito lagarta
de um jeito
que me tinha ardente
e ins-pirada
sussurava segredos
de cigarras
me arrepiava
e sus-pirava
permanecendo
ávido à flor
da minha pele
que trans-pirava
água-viva
e gozava
e amava aquela piração
contexto
recita tuas águas
e brasas
e te condenso
nos meandros
contornos e entremeios
te margeio
em teus vales
horizontes e montanhas
desaprumo
só em teus ventos
me refaço
duna
aspectos secretos de um ritual
me despe às cegas
horas
do dia
do dia
e o
vidro do relógio
arranha tanto quanto
me acariciam as tardes
de oásis
nunca inteiro quase se
faz felino e me acaricia
tanto quanto arranha
a minha vida
e despede-se às claras horas
do dia
arranha tanto quanto
me acariciam as tardes
de oásis
nunca inteiro quase se
faz felino e me acaricia
tanto quanto arranha
a minha vida
e despede-se às claras horas
do dia
muito prazer
tenho muitos dialetos e dias lentos
e nas desfronteiras de mim
há minas de ouro ou de bombas
– estou sempre por um fio
(cut the red line)
sou do tipo que diz não
e grita o sim
e nunca fui dada a tropeços:
caio de vez e com vontade
porque pode ser que eu aconteça
ou desapareça logo
quem sabe
sei que não tenho lógica
mas tenho esses dias lentos e esses dialetos
e você bem que podia me sacar de vez
e se atirar de cabeça
em mim e nos meus mistérios
e talvez você compreenda a minha língua
e compreender a língua
passa pelo reconhecimento do corpo
(a pele é uma fronteira que não separa línguas)
e antes que você desaconteça
e antes que eu desapareça
e antes que amanheça
vem me aprender logo
porque mesmo com meus dias lentos
dizem que noite adentro
o tempo voa
e nas desfronteiras de mim
há minas de ouro ou de bombas
– estou sempre por um fio
(cut the red line)
sou do tipo que diz não
e grita o sim
e nunca fui dada a tropeços:
caio de vez e com vontade
porque pode ser que eu aconteça
ou desapareça logo
quem sabe
sei que não tenho lógica
mas tenho esses dias lentos e esses dialetos
e você bem que podia me sacar de vez
e se atirar de cabeça
em mim e nos meus mistérios
e talvez você compreenda a minha língua
e compreender a língua
passa pelo reconhecimento do corpo
(a pele é uma fronteira que não separa línguas)
e antes que você desaconteça
e antes que eu desapareça
e antes que amanheça
vem me aprender logo
porque mesmo com meus dias lentos
dizem que noite adentro
o tempo voa
recíproca
de repente assustam-me
os teus destroços abandonados
à superfície dos meus olhos
rasos de água
vitralidade
tuas cinzas
areia e sais
unidos à minha fragilidade
unidos à minha fragilidade
improvável engano mesopotâmio
em meus imprevistos
vitrificados
em meus imprevistos
vitrificados
nas tuas mãos de oleiro
meu corpo moldado
em complexos ruídos
em complexos ruídos
presos em tuas tramas de cobre
meus reflexos
derretidos
meus reflexos
derretidos
e o momento inexato
em que me entornas
em que me entornas
teu líquido
é aquele em que me acreditas
na impossibilidade
na impossibilidade
do vidro
espectro
aquelas noites não
nos deixaram
para trás
mas sozinhos
sem os silêncios
comuns às estrelas
e aos lírios
e com todas
as minhas cores
misturadas aos teus
litígios
solstício
« a utopia está lá no horizonte »
eduardo galeano
prendo-me ao que se move
para retirar da dor
a monotonia
o que de mim se afasta
ou cai como fruto
ou flor
por isso deixo-me
levar a noite
dentro
que meus poemas
são feitos de outonos
memórias
e esquecimentos
perfil
na parede morta
minha natureza toda
sem assinatura
saturada de azul
de um quase nu
vinho
púrpura
magenta
e de teu sol oblíquo
a emoldurar meu rosto
respingado de tinta
Assinar:
Postagens (Atom)
