para uma dança



gostaria de um homem verde
menino ainda
ou um homem verde e rosa
de alma mangueira


um homem que me tirasse
para as danças da chuva e do sol
e que gostasse de natureza


[mas tanto o sol como a chuva
mesmo sem esse homem
chegam a mim com tamanha beleza]


gostaria de um homem
para dançar
apenas






* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2603

19 comentários:

Moacy Cirne disse...

Um homem verde e rosa:
pode ser de saturno
como pode ser de júpiter
não? não? não?
então, quem sabe,
um homem que torça pelo
Flamengo
na torcida do Fluminense
ou que torça pelo
Fluminense na torcida
do Flamengo
que sua alma seja mangueira
mas também portela
e que saiba
dançar
e ler poemas.
Sobretudo, os seus poemas,
sempre belos.

Beijos.

Cosmunicando disse...

só para uma dança, e o que vier a mais é sempre algo inesperado!

e claro, a dança em si é sintonia... toda relação é dança ;))

muito lindo, dri.

beijos

Sergio disse...

Nada mais natural. Na dúvida precisar de algo.

Jo Bittencourt disse...

se chegam sol ou chuva com tamanha beleza sem esse, a leveza de dançar com esse terá ainda mais nuances.

belo!


adrianna, beijo!

BAR DO BARDO disse...

vc quer o cara ou ñ???

decida-se! rsrs

brinco... seu texto está bem articulado. a mulher se decide pela indecisão e o homem dança.

uma equação perfeita.

Adriana disse...

um homem em ritmo de carnaval,de verde e rosa da mangueira...Ô, de samba no pé...que delícia de´poesia leve.

oscar kellner netto disse...

DANCE À VONTADE, ADRIANNA...
PRA VC, UM POEMINHA...



FELINA



quando um silêncio
listrado
rondar seus versos, saiba:
do bote imprevisto
nascerá um poema...

(juntamente com o tigre
que salta do solo
também nos ataca um pouco do chão:
em todo depois
sempre existe um pouco do antes...)

no poema nascido
e no poeta ferido
sempre haverá
além das rimas
a marca das presas
da fatal poesia

assim também
o salto ferino
e o sangue da vítima
sempre estarão
nas listras do tigre
que inaugurou o poema.


OSCAR.

oscar kellner netto disse...

metamorfraseando...

PARA UMA DANÇA


Gosto de ser uma dança apenas,
E que uma chuva me ponha na alma menina
A beleza do sol em verde-rosa.

Assim espero pela nau vinda de Atenas:
Sei que nela virá, natural e pequenina,
A mulher que a dançar me esposa...

bjos, menina-dança.
oscar

Lídia Chaves disse...

E nem seriam necessários aqueles sapatinhos vermelhos, que nunca param de dançar, que nunca dão descanso ao dançarino-escravo!

Cris Caetano disse...

Se ele dança, tem ritmo, é perfeito.

Beijinhos e bom fim de semana

Múcio L Góes disse...

entao, deixemos de bolero-lero, um tango contigo é oq mais quero.

lindo.
linda!
=]

Sergio disse...

...

nina rizzi disse...

eu também gostava. "vierde que te quiero vierde".

Henrique disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Henrique disse...

Eu também! Mas é mais difícil ainda! ahuahauhauahuhau

contemporâneos
optar é deles o mais desumano
escolher entre tantos
a quem vou amar
se telefono agora ou depois
ou não ligo
se insisto ou desisto
ou nem isso
peço demissão
fico grávida
troco de país
mudo de vida
(e que verso vem agora
o que inventar
para continuar sendo lida)
que saudade me fará o calor
caso venha a preferir o frio
e estando a escolha feita
nada me convence
ou tranqüiliza
estou sempre de olho na outra margem do rio

Martha Medeiros

Henrique disse...

dos habituais comportamentos
contemporâneos
optar é deles o mais desumano
escolher entre tantos
a quem vou amar
se telefono agora ou depois
ou não ligo
se insisto ou desisto
ou nem isso
peço demissão
fico grávida
troco de país
mudo de vida
(e que verso vem agora
o que inventar
para continuar sendo lida)
que saudade me fará o calor
caso venha a preferir o frio
e estando a escolha feita
nada me convence
ou tranqüiliza
estou sempre de olho na outra margem do rio

Nirton Venancio disse...

O poema é muito bonito... convidativo.

líria porto disse...

não resisti - tinha este poema faz tempo - e ele caminha noutra direção:

gris
líria porto

verde não te quero verde
quero-te bem maduro
no ponto certo do apuro
dos teus cabelos cinzentos
das tuas marcas e rugas
que o tempo faz quando cura
as desilusões

***

besossssssssssss

Lualves disse...

Pav,

Belos versos... A Sra. Poesia agradece...

Um abraco,

Lualves

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