hidrológica



cuido por tanto
tempo desse dique
em meu corpo


e os olhos drenam
toda essa água
salgada e revolta


a dor é que não
se esgota






* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2657

47 comentários:

fred disse...

Que a dor se esgote no poema, belo poema.
Beijos

Moacy Cirne disse...

belobelobaby: a dor se esgotará, o poema ficará. e o mundo continuará para todos nós: poesiavida que te queremos poesiavida, seja nas morenices de uma tarde puro verão, seja nas brejeirices de uma tarde pura paixão. beijos.

omnia in uno disse...

feito um rio que atravesso, passo por esses versos me detendo, com atenção, ao (dis)curso.

totalmente identificada. dor não é estado que se esgote, só as doses é que mudam com o tempo.

romério rômulo disse...

pavitra:
a questão está bem colocada.
romério

BAR DO BARDO disse...

fiquei vermelho feito pimenta já em nimbo. não quis falar sobre uma coisa. posso falar? falo. ocorre o seguinte, dri, nimbo e hidrológica são poemas profundamente eróticos. de um erotismo um tanto velado, apre(e)ndido em bandeira. é, mas a dri não dá bandeira, né? estou gostando da (e bastante ruborizado com a) série líquida.

BAR DO BARDO disse...

posso ser indiscreto mais uma vez? posso? só mais uma?! é o seguinte: pavitra, esse cognome é de deusa hindu? por que pavitra? se for indiscrição, finja que eu não existo! pronto, sumi!

Sergio disse...

Cara limpa. Liberdade!
Isso não é para amador.

Georgio Rios disse...

E há um bálsamo escondido dentro destes versos disfarçados de dor...

Adriana disse...

como diz Balmann, o amor é líquido...mas vc está esgotada.belo,muito belo.
http://anndixson.blogspot.com

Marcelo Novaes disse...

Dri,


Esse é um texto que fala de uma dor contida, não-expressa, antiga. Não há um laivo de erotismo aqui. Há o falar de quem o poder-falar é tão difícil, que o soluçar precede a fala-lágrima-por-dizer.



Tudo se esgota , quando tem espaço para tal. E o espaço é, antes de tudo, útero-em-nós.Aproveitaste bem esse espaço-de-palavras-e-afetos aqui: um dos teus espaços zelosamente construído!




Beijos,






Marcelo.

BAR DO BARDO disse...

Adrianna Coelho, reitero que "nimbo" e "hidrológica" são poemas profundamente eróticos. Não há apenas um "laivo", há uma enxurrada de erotismo! Para demonstrar por meio de um ensaio ou de um artigo científico o que estou afirmando, precisaria de mais tempo e espaço, mas me dou ao trabalho de apresentar, pelo menos, quatro pontos. (1)O erotismo mencionado, embora esteja contido, se refere a pulsão de vida, vontade de se expressar como ser vivente e, no plano da matéria, matéria humana, uma das possibilidades dessa expressão é por meio do sexo, feito apenas como ação prazerosa.(2)Ambos os textos apresentam lamentos de um eu lírico que não se aguenta para liberar seus desejos, tratados como valores positivos (aqui, eros e erotismo!). (3) O dois sujeitos líricos, ainda que em "nimbo" esteja num modelito "mãe natureza", nos levam a identificar a figura da mulher e relacionamos, diretamente, as águas descritas a certos humores do corpo feminino. (4) O jogo de básculo erótico, por meio de um lirismo exageradamente condoído - o tal velamento a que me referi -, é marcante em Manuel Bandeira, por isso fiz menção ao grande poeta pernambucano. Enfim, quero só afirmar que, embora eu faça muitos gracejos, "os meus brinquedos literários" possuem a coerência de muita leitura e de muito estudo. Portanto, eu não apenas posso dizer, como o digo com muita propriedade, que seus poemas são estética e semanticamente bem construídos. Ah, digo, também, que seus poemas estão carregados de erotismo. Um beijo, Dri!

Marcelo Novaes disse...

Grande Henrique,


Podemos ir para modelos hidráulicos, ou considerações reichianas ( e pós) para enxergarmos o tal "erotismo transbordante em águas, represadas em lágrima". Os brinquedos podem, de fato ( e sempre) ser bem fabricados, com todas as engrenagens funcionando direitinho. Poderíamos pensar nas muitas variações sobre a água, de Bachelard a Ferenczi. Mas a questão foi por mim posta sem nota de rodapé. Feeling e faro. Tais águas-lágrimas ( de tão contidas) estão para os fluidos genitais como a faísca do fósforo está para a erupção do Vesúvio, em Pompéia.Mas, de fato, há quem possa antever ( ou entrever) o vulcão na faísca, como o gozo na lágrima. A isso poderíamos chamar "olhar poético" também. Por que não?!Sem "laivos". Profuso olhar.Profusa poesia no olhar. Sem aspas.








Abraços,







Marcelo.

J.F. de Souza disse...

Chove
em
mim

BAR DO BARDO disse...

Olá, Marcelo Novaes - le boxeur!

Eu só tenho um metro e sessenta e dois, sou magro e não sei boxear... Não desejo criar aqui uma pendenga, iniciar uma polêmica, tampouco desejo que lhe cortem os alfanjes de minhas aspas. Se é que não percebeu, Marcelo, além das ciências, da literatura e da ironia, você parece estar tentando descartar uma visão diferente do seu mundo. Gostaria, se possível, que meditasse um pouco sobre isso. Mas não, não estou aqui para pelejas, sejam com armas brancas ou de fogo, sejam com luvas ou a punhos nus; estou aqui para ler à fruição da poesia, só. Estou aqui para ler os poemas da Dri.

Meu abraço, pois, poético,

Pimenta

Cosmunicando disse...

pav, dri, com laivo, sem laivo, com ou sem erotismo... esse é um dos mais lindos poemas teus que já li!!
tô bestona aqui, cheguei ontem, não tinha lido nada ainda e fui pega por esta pérola.
beijo!

Marcelo Novaes disse...

Simpático esgrimista, Henrique,



Concordamos em muitas coisas. Ao seu modo, sabes ser veemente ( e gostas de sê-lo...). Esse espaço é para fruições das poesias da moça dona desse blog. Sim! Claro! A própria moça também tem sua visão sobre tal poema. O fato é que vc, com a altura e o peso que for, sabe usar bisturis. Sua leitura não é fruto de rompantes de delírio, claro. Todos sabemos. Se não, nem montarias um blog como é o teu: bom pra caralho ( sem sexualidade na expressão; pura informalidade...). A polêmica, em mim, é circunstancial, não uma "profissão de fé" ( pelo menos no que se refere aos poemas alheios; quanto aos meus, assumo o título ou pecha). Pode ter certeza disso. E eu consigo imaginar umas duzentas e vinte opiniões diversas da minha, perfeitamente fundamentadas. Plausíveis. Okeias. Melhores inclusive. E umas duzentas e vinte e duas não tão okeias...


rs rs rs


Abraços, amigo.


P.S.:Não aceno o lenço branco da paz: desfraldo um lençol ( de casal, amplo...) como bandeira branca...

[desde que, claro, tu não vejas nisso algum laivo ou veios (!!!) de erotismo...]



Marcelo.

Mme. S. disse...

Querida, vou confessar: essa eu gostaria de ter escrito. Aff! Vai ser boa assim lá em casa!

BAR DO BARDO disse...

Marcelo, agora vamos parar com essas declarações tão íntimas, porque a galera já tá olhando meio desconfiada... (rsrs)

Adriana disse...

Adriana, xará, fique lisonjeada...teu poema desencadeou tamanha efervescência aqui.Gostei tanto do debate quanto do poema...rs

Ston disse...

Atingida por barragem...

Múcio L Góes disse...

largue a primeira lágrima quem nunca chorou de alagar...

bjo, cherrie.

Ana disse...

Muito bom! Gostei de conhecer o seu trabalhO!

Jo Bittencourt disse...

rsrs

uau, q moços esses dois!

elegante Adriana, muito elegante...amo!


*

Alex Pinheiro disse...

Ah, mas faz seguinte: derrube os diques e deixe o sol fazer flor,,, rs

Bjs e saborosas invenções!

Miguel Barroso disse...

Eu trato sempre bem a dor. Tudo tem um dorso.


Abraços d´ASSIMETRIA DO PERFEITO

Lou disse...

Uau! Além de belo, polêmico. rs

Dri, adorei a metáfora, com ou sem erotismo, assim como o embate de titãs. rsrs Adoro ver mentes inquietas exercendo a dialética - elegante, oportuna e respeitosamente, óbvio.

Abraços,
Lou

oscar kellner netto disse...

tenhas a
costumança
das estações
sejas a fêmea única.


as estações
se sucedem,
os rebanhos
se perpetuam...


OSCAR

Tecnenfermaginando disse...

é lindo!

Flávia Muniz disse...

au!belo...

Moacy Cirne disse...

Oi, Adri, tem um poema seu no Balaio. Beijos.

oscar kellner netto disse...

ah!
amada
esse
teu
bulício
de
c
a
c
h
o
e
i
r
a ...

adrianna coelho disse...


henrique, eu não dou bandeira! (mas leio) rsrs

ruborize-se!!
beijos

adrianna coelho disse...


e vc existe, sim, henrique
pavitra é que não existe mais... rs

não suma!

adrianna coelho disse...


o amor é líquido
que o coração bombeia...

obrigada, adriana!

adrianna coelho disse...


marcelo, agora eu já estou pronta
(ou quase) para deixar a fala
rolar pela face
com todas as faces que ela tem
até as lágrimas.

graças a vc, que eu amo.

adrianna coelho disse...


fui mesmo, ston! :)

adrianna coelho disse...


beijos, múcio!

adrianna coelho disse...


ana

tbm gostei de ter conehcido o seu!

adrianna coelho disse...


beijos, jo!

p.s. os mocinhos são 2 queridos! rsrsrs

adrianna coelho disse...


alex,

farei isso, com certeza!

desembarreiradas invenções pra vc!

adrianna coelho disse...


miguel, adorei o seu comment!

é... "tudo tem um dorso"

abraços

adrianna coelho disse...


e foi mesmo legal esse embate, né, lou?

nós, leitores, é que ganhamos.

beijos

adrianna coelho disse...


meu querido e doce oscar,

adorei o poema!

p.s. vc nem reparou que correu perigo com ele, né? rsrsrs

adrianna coelho disse...


eu vi, eu vi!!! :)

mais uma vez no balaio

obrigada, moa!
beijos

adrianna coelho disse...


"ah!
amada
esse
teu
bulício
de
c
a
c
h
o
e
i
r
a ...


oscar, oscar... rsrsrs

beijos!

Ígor Andrade disse...

Eu gosto quando você rima. rs
Dor é não ler um poema desse!

coco disse...

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