efeito borboleta



não sei o que isso tem a ver com a nossa vida ou se chega mesmo a ter alguma coisa em nossas vidas que possa se fazer nossa um dia, embora eu perceba algumas das infinitas possibilidades de chegadas e partidas das quais ganharíamos algumas e perderíamos outras coisas na saída... e nem sei se haveria mesmo uma saída para nós além das contramãos nas maçanetas de portas abertas ou fechadas nas quais experimentaríamos cada uma das chaves que encontrássemos sob um provável vaso intencionalmente colocado nesse chão em que piso que vai até você que vive em outra realidade apenas separada por um mapa que não me serve de guia apesar de todos os satélites artificiais a distinguirem nessas paralelas e meridianas linhas que alguém isento de saudade e de desejos teve a estúpida idéia de desenhar só para demonstrar a distância que vez ou outra transformo em um poema que grita tanto quanto eu que falo baixo a mim mesma sobre minhas fantasias de trepar um dia inteiro com você e de recitar poesias e de querer o secreto que há em nós que somos estranhos um ao outro fora do sonho... e isso me faz lembrar de que ainda preciso olhar para o que é concreto e real e feito de tijolos ou aço ou plástico ou madeira ou ferro ou qualquer outra coisa palpável antes de atravessar as longas horas que os relógios anunciam quase num deboche ao mostrarem que você ainda não me aconteceu e talvez não aconteça nunca - esse nunca que é por sua ausência o avesso do sempre da sua presença em qualquer outro lugar longe da nossa hipotética vida que não tem nada a ver com nossas vidas mas que mesmo assim me faz pensar nessas infinitas possibilidades...




6 comentários:

Cris Matthiesen disse...

O efeito borboleta é a teoria do caos. O caos é a nossa própria vida traduzida num cotidiano maluco e holográfico. Paixões reais e surreais, quem se importa? Quem vai dizer ao nosso coração que a verdade é mentira e que toda a mentira pode ser verdade um dia? Que adianta tanta gana de viver o impossível e realizar o possível se nós mesmos duvidamos desta verdade maior que é acreditar que um dia tudo possa sair do plano imaginário e subitamente cair na real?

Desta vez, com fôlego. Adorei, mulé!!! ;-)))

Rodrigo M. Freire disse...

A despontuação deixa tudo embaralhado tal qual pensamento, talvez que entramos em coisa similar a este seu tormento. Seleciono uma passagem: "vive em outra realidade que existe apenas separada por um mapa que não me serve de guia " - porque esta passagem, no meio desse estilo atormentado, me deixou inspirado. Fiquei pensando aqui se não seria melhor andar com perspectiva de tal encontro, andar sem a noção de quão longe estão de nós as pessoas que amamos, que gostamos ou que queremos por perto. Não é melhor poder confundi-las na praia num soerguer da esteira? Num rápido menear da cabeça? Algumas sabedorias não são cancerígenas? Estou farto de informações. Em vez disso.. Que tal uma dança?
Beijos!

Anônimo disse...

talento para deixar-se ao sabor de não saber sabendo que pontuamos para respirar e por não querer pirar na descida louca ao encontro consigo mesmo que é de outro modo uma ante-sala do encontro com o outro que não espera ser o outro que lhe constrói entre o indicativo e o subjuntivo... belo texto como é belo tudo que beija o singelo!

Maurício disse...

Tenho certeza que essa é uma das páginas do famoso "Livro que matava todo mundo". Era sempre feito um desafio a quem o tentasse ler em voz alta. Então as pessoas iam ficando roxas, e morriam sem ninguém saber pq. Um dia entenderam que não tinha pontuação alguma e foi dado esse nome a ele. Mas essa continunidade traz uma desconexão com o racional, e alterera os sentidos da percepção...Excluindo as possibilidades inclusas na impossibilidades tudo vira paradoxo. Claro...bjhos

Tania disse...

"mas que mesmo assim me faz pensar
nessas infinitas possibilidades..."
Adorei o texto,
Beijos.
Tânia

Anônimo disse...

é tudo tão intenso quanto a vida da borboletra...

esse vazio
devassa vazia
cheia de io
e ia..

Postar um comentário