inconclusiva



nem sempre é sobre o olhar
que me atropela e não vê
as viagens e os trens
em minha cabeça


[ou o chão que falta
sob meus tremores]


nem sempre é sobre um par
de tênis preso nos fios elétricos
de onde pombos voam


nem sempre é sobre o que sei






* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2667

42 comentários:

Marcelo Novaes disse...

Dri,



Meu amigo Marcelo Ariel diz "que devemos escrever sobre o que não sabemos" (quando se trata de poesia, não de teses...rs rs rs). Assim, se pode tatear algo novo enquanto se busca. O seu poema fala sobre isso, com imagens suas (tateadas por vc).






Beijos,







Marcelo.

Compulsão Diária disse...

Belas imagens, Adiranna.
Os fios esticados e os tênis presos. E nem sempre a gente sabe pra onde voam os pensamentos.

Moacy Cirne disse...

Em grande estilo,
sempre:
e o que você não sabe
nós também não sabemos.

Mas olhamos,
mesmo quando não olhamos.

Beijos.

Mirse disse...

Gostei, Adriana!

O "nem sempre", sempre nos atropela.

O par de tênis preso sobre os fios, é realmente uma imagem que atropela, porque não há explicação.

Poema lindo, limpo e atual!

Não sei se estou certa, pois..."nem sempre é sobre o que sei"

Beijão!

Mirse

Fabio Rocha disse...

Demais! Sempre quis conseguir um poema com a poética imagem do par de tênis preso nos fios... ;) Parabéns! Beijos

Úrsula Avner disse...

Oi Adriana, poesia linda, reflexiva, de profundidade lírica e estilo profissional. Amei ! Bjs poéticos.

Georgio Rios disse...

Sempre disse que quando acesso este blog ouço música e faltar chão aos pés é um acorde perfeito.

BAR DO BARDO disse...

"um par
de tênis preso nos fios elétricos
de onde pombos voam"

imagem que vemos tanto mas que nunca há de ser conclusa.

gostei do texto.

parabéns.

fred disse...

nem sempre é sobre o que sei
Raramente sabemos, mesmo quando pensamos que sim.

Ótimo poema.

Beijos

Henrique disse...

E ainda dá pra saber que se é. Não é lindo?

Neusa Doretto disse...

Nem sempre: infinito , cotidiano e voraz.

Gostei muito

Neusa Doretto

Moacy Cirne disse...

Você e o Balaio
o Balaio e Você


Com um beijo

omnia in uno disse...

nossa, como me identifiquei com esse poema! lindo lindo. o chão que falta sob os tremores... poema na hora da terra (sou uma taurina total)

beijão!!

betina moraes disse...

eu li este belo lá no balaio...

ficou muito bom!

é uma alegria especial ir lendo as tuas coisas,

porque eu torço...

parabéns pelos outros bolgs!

um beijo querida!

Ígor Andrade disse...

"nem sempre é sobre o que sei"

Só o final já é um poemão! rs
Abração!

Cris Caetano disse...

Também me inquieto pelo que não sei. :) Gostei!

Beijinhos, Dri.

José Carlos Brandão disse...

Excelente.

Os trens na cabeça... de onde os pombos voam... As imagens mais belas vbêm de onde menos se espera.

beijo.

VANYA disse...

A cada visita, fico mais encantada, e olha que estou te visitando a anos...hehehe
Sdds menina!
Bjosss

Jo Bittencourt disse...

nem sempre é sobre o q eu sei... e nem precisa ser, hein!

adoro!


Adrianna, beijocas!

Liene disse...

Adrianna,

Estamos sempre em busca de...

Quantas perguntas ficam suspensas em nossos pensamentos e quase sempre acabam sem respostas. Tempos depois voltam com outras roupagens e novos questionamentos... Inconclusivos.

Lindo...

Grande abraço!

J.F. de Souza disse...

Nem sempre é
e
nem sempre sei

Renata de Aragão Lopes disse...

Nem sempre sabemos...

Adorei!

Janaína S. disse...

Nem sempre...

Lindo, Lindo!
Beeijo.

Adriana disse...

esse olhar que te atropela, essa falta de chão, esse par de tênis sem dono...esse ser poema sem ser...essa prosa é sua, adorei!

WELLINGTON GUIMARÃES disse...

GOSTO DE NÃO CONCORDAR COM TUDO NEM COM TODOS. GOSTO DE TENTAR VER NO QUE TODOS ACHAM BOM, UM DEFEITO.POR ISSO MALDIGO DRUMMOND E ELOGIO O FABIO DE MELO. MAS TODO MUNDO QUE COMENTOU DISSE SER BOM O TEU POEMA, E AGORA?
CONCORDO COM ELES, PORQUE GOSTO DE SER LIVRE EM MINHAS OPINÕES, MAS NÃO DE SER BURRO, DE SER CONTRA SÓ POR SER.

BJS, DRI.

Aline Christal disse...

Adrianna!
Amei as "urgências" dos seus poemas!
Nem sei como vim parar aqui, mas tenho certeza que virei muitas vezes...

P.S - seus poemas não precisam de imagem, eles são as próprias.

Hercília Fernandes disse...

"nem sempre é sobre um par
de tênis preso nos fios elétricos
de onde pombos voam".

Belíssimas imagens, Adrianna. Paisagens-de-sonho, de fazerem-sonhar.

Beijos :)
H.F.

Lualves disse...

Acredito no que não sabemos e no vôo dos pombos...
... é sobre o que eu sei.

Muito bom!

Lualves

Mme. S. disse...

Ei, to esperando você mandar a notícia lá para a coluna viu? um cheiro beeem grande e desculpa a demora em responder. Sheylinha.

Carito disse...

Você diz-constrói com Barros de Manoel:

"A poesia está guardada nas palavras
- é tudo o que eu sei.
Meu fado é de não entender quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades."

Rodrigo M. Freire disse...

gostei demais! demais mesmo!

Flávia Muniz disse...

É bom quando o olhar se perde nos lugares de achar poema...

bj

Adrian Dorado disse...

Cuando es sobre lo que no se sabe despues se sabe. Es la manera de que se haga la luz sobre lo oscuro.
Así, claro, está el poema.
Pasé y gusté.
Beijo tocaya

nina rizzi disse...

já gostei do poema naquele dia. mas um hoje ele me deu um sabor ainda melhor. há um chão. e como é belo :)

beijo.

Sabrina disse...

nossa cada vez que entro aqui, tá de um jeito, tá num momento metamorfoseando? sabe que a última colagem (eu já tinha pronta, antes de vc pedir) mas dei o nome borbuleteando em sua homenagem !bjo

Lou disse...

"nem sempre é sobre o que sei", mas gosto mesmo sem sabê-lo. :)

Abraços,
Lou

» Nøélya « disse...

Oláaaa! quanto tempo não venho aui.. Deu até saudade...

Lindo texto, ameeeei...Beijos da Sapa...

. disse...

Poema tão belo!
sim, querida Adrianna, sempre inconclusiva e nunca definitivamente...
Obrigada por sua passagem lá no Casulo.

Bea - Compulsão Diária disse...

Passei pra saber de vc. Cadê?

Elaine Siderlí disse...

Magnífico...e quase sempre é sobre o que não sei.

bjus, querida!

Elaine Siderlí.

. disse...

que beleza, Adrianna! estive muito ocupada e vejo que preciso recuperar o tempo perdido - quanta coisa bonita que apareceu aqui e se espraiou pra outros lugares!

Lisa Alves disse...

as vezes as reticências são melhores amigas do que uma finalização ou a obrigação de um argumento conclusivo. A vida não concluí, nós que tentamos literalizá-la demais. Belissimo poema, Adriana!

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