cálice

Para Adriana Sunyata


da nossa entrega cotidiana
àqueles deuses embriagados
e aos casulos de borboletas


às folhas que caíram
e aos raios de luz
na penumbra dos sonhos


às nossas intenções aladas
e a tudo que era aveludado
vermelho e sanguíneo
como mosto
ou como vinho


só me resta um vazio
num cálice cheio
de poesias caladas




* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2825

18 comentários:

Adair Carvalhais Júnior disse...

Gostei muito deste, dentre outros.

um abraço

Rodrigo M. Freire disse...

belíssimas imagens que não fogem à mensagem.

Átila disse...

Vim aqui a procura de uma linda obra de arte, e adivinha, como de todas as outras vezes eu achei algo excepcional.

Falar de nossos sonhos, de nossas utopias, de forma tão singela, me deixou muito impressionado. Vejo ai um toque de existencialismo e de pessimismo, típicos de suas poesias. Também compartilho desses pensamentos.

Sabe, Adrianna, adoro vir aqui ler seus versos, e me deliciar e ficar pensando em tantas coisas interessantes que eles me contam.

Um grande abraço

Poly disse...

mas quase nunca ocultas.

tua poesia me persegue...

beijos!

pat werner disse...

lindo!

Moacy Cirne disse...

em grande estilo
na penumbra dos sonhos:
vermelho e sanguíneo
como um poema
outubrário.

/beijos/

Georgio Rios disse...

Uma deliciosa poetica de amizade!!

BAR DO BARDO disse...

Muito bem... tinto e belo... delícia de poesia...

Adriana Karnal disse...

tua poesia nos cala fundo...

Fred Matos disse...

Querida,
Você faz anos no mesmo dia que o meu primogênito, e desejo-lhe o mesmo que para ele: que hoje, mais que um dia de festa, inaugure uma série de milhares de dias felizes, nos quais se realizem todos os seus melhores sonhos.
Parabéns!
Beijos

betina moraes disse...

o que te resta é excelente, é inspirado e muito intenso, como tudo o que te cerca, amiga adriana...


ah! como ficou bonito o teu blog com novo rosto.

um beijo.

Mirse Maria disse...

Lindo, Adriana!

Blog de cara nova, poema maravilha!

Vou morar aqui!

Beijos

Mirse

Marcelo Novaes disse...

É...

Sunyata...

É isso...

Os deuses embriagados também se rendem a esse princípio...




Beijos,




Marcelo.

Taninha disse...

"... só me resta um vazio
num cálice cheio
de poesias caladas"


Uau!

Que versos...


Bjs,
Taninha

Nathi disse...

"É sempre bom lembrar, que um copo vazio está cheio de ar..." Chico já dizia...

Wilson Torres Nanini disse...

No poema você parece reclamar de barriga cheia; sua poesia está plena, de tudo o que é veludo e vivo. Apenas fica vazio o ar de nosso gesto perplexo diante de sua poesia.

Fabio Rocha disse...

Perfeito! Publiquei na busca, tá? Bjs

khatarsisencontros disse...

Adriana,
Seus poemas são cheias de sabor, podemos alcançar os objetos além das palavras. É um sentir que faz bem. Também tenho um blog, o http://khatarsisencontros.blogspot.com/, com poesias, contos, crônicas. Adoraria que passasse por lá. E se gostar do meu espacinho de universos, encontros, desencontros e laços azuis ficaria honrada em tê-la como seguidora.
Eu já estou te seguindo, não poderia deixar de fazê-lo!
Um beijo de sua nova admiradora,
Bruna.

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